Lendo e ouvindo sobre missões nos fascina as histórias de alcance a povos que ainda não conheciam o evangelho, em lugares inóspitos, distantes e desafiadores, dentre tantas, as histórias na África, Ásia e América Latina. Mas o que dizer de povos que estão tão próximos de nós, mas não podem contar com a proclamação do evangelho genuíno?
Numa localidade do interior da Bahia, distrito do município de Casa Nova encontra-se um vilarejo onde há muito tempo atrás três famílias: Pinheiro, Souza e Dias, formaram uma família que se chama de Cancão, e dessa forma os moradores foram denominados e hoje faz parte de sua identidade ser chamado assim. Riacho do Sobrado é um lugar com uma pequena população de dois mil habitantes (dado não oficial), com dificuldades quanto ao abastecimento de água, condições básicas de saúde e educação, saneamento básico, enfrentando todos os desafios da zona rural do sertão nordestino.

Seria esse um povo não-alcançado? 
Como na maioria dos vilarejos no interior do sertão nordestino, pode-se facilmente encontrar uma igreja católica, numa localização bem privilegiada, sinal de que houve evangelização cristã. Mas a situação atual de Riacho do Sobrado nos indica que ali o povo cancão precisa de Jesus, pois, não há de nenhuma parte assistência espiritual. Apesar de todos se considerarem participantes de uma religião que denominam Lei Católica, não há vestígios de algum efeito que a salvação opera sobre uma população. Pelo contrário, o que se vê são jovens envolvidos prematuramente com o álcool e uso de drogas, violência doméstica, gravidez precoce, acidentes em motocicletas em alto número devido a embriaguez.

Quem poderia amar esse povo tão sofrido?
Foi em resposta a esta questão que o ministério de missões da Igreja Batista Emanuel da cidade de Petrolina (distante 36 Km de Riacho do Sobrado) resolveu agir para transformar a realidade daquele povo. Com o desejo de abençoar vidas em algum lugar que realmente necessitasse de receber o evangelho, o povo cancão foi sugerido por um dos membros da equipe, que por fazer parte da família cancão, sentiu de Deus o chamado para socorrer aquele povo.
A Idéia foi amplamente apoiada e apartir daí iniciaram-se as ações para a implantação de uma congregação da Igreja Batista Emanuel, junto com o envio de um casal de missionários em tempo integral para assistir a esse povo e conviver com eles.

Essa idéia culminaria numa semana de trabalhos evangelísticos e sociais, que ao findar inauguraria um trabalho missionário naquele lugar, movida pela visão da missão integral, que vê o homem em todos os seus aspectos, não somente o espiritual.

Mas idéias exigem planejamento, investimento, oração e tantas outras atividades que tomaram meses desta equipe no preparo de uma semana que fincasse as estacas do evangelho em meio ao povo cancão.

Chegando à época da realização do 1º Projeto Missionário da IBE, uma grande equipe juntou-se com a participação dos membros do ministério de missões, membros da igreja, e missionários convidados, além do casal de missionários que faria parte não só durante a semana mas, dali pra frente, definitivamente.

Muitas foram as atividades realizadas:
o      Evangelismo em todas as casas
o      Escola Bíblica de Férias
o      Campeonato de Futebol (1ª Copa Missionária)
o      Exibição de Filmes Evangelísticos
o      Apresentações Musicais
o      Pregações
o      Peças Teatrais
o      Coreografias
o      Atendimento Médico Diário
o      Ação Global:
o       Palestras para as Mulheres
o       Palestra para as crianças sobre tratamento dentário
o       Escova e Prancha para as Mulheres
o       Depilação
o       Atendimento para retirada de documentação
o       Exame de Glicemia (diabetes)
o       Aferição de pressão

Desta forma durante uma semana houve Luz sobre a escuridão que pairava sobre este povo, e essa escuridão foi sentida por aqueles que dia a dia conviviam com uma população que sofria, tanto pelo descaso do governo, quanto pelo abandono espiritual em que se encontravam.

Pouco a pouco casas foram sendo invadidas pelo amor de Jesus presente na vida daqueles bravos missionários que enfrentavam o forte calor e a falta de água na localidade durante toda a semana.

Com um início não muito empolgante, foi-se desbravando a curiosidade e a incredulidade deste povo, que durante os dias foi sendo substituída pela sede e a necessidade de ouvir uma mensagem de esperança para suas vidas.
A vida de dezenas de crianças foi alcançada com quatro dias de atividades que os iniciaram no caminho da salvação na pessoa de Jesus.

Um grande público foi se formando a cada noite e vidas rendiam-se ao Senhorio de Jesus Cristo, sendo tocadas pela exposição da palavra, os testemunhos impactantes e as apresentações teatrais e de coreografias. Assim iniciou-se um tempo novo em Riacho do Sobrado, o lugar onde mora o povo cancão, que agora podem contar com um casal de missionários disponíveis em tempo integral para auxiliar, ensinar, orientar, socorrer, conviver com aquela gente.

Esse não é um povo da África, ou outro lugar distante de nós, mas era um povo que estava distante da verdade do evangelho que Jesus veio propagar e pelo qual deu a sua vida. Apartir de agora poderão se aproximar desta realidade que transformará as suas vidas, espiritualmente e posteriormente nos outros aspectos que complementam as suas vidas.

O Povo Cancão foi alcançado mas não foi feito o suficiente ainda, serão necessárias mais idéias que levem a novos planejamentos, investimentos, orações e tantas outras atividades que continuarão a dispersar as trevas que ainda perseveram sobre vidas, famílias e lares necessitados de libertação.

A Missão continua e não tem prazo para encerrar-se, ela foi iniciada por Cristo e só ele poderá determinar o tempo em que o “Ide” será substituído pelo “Vinde” através da volta do Filho do Homem.

Como esse povo, existe outros mais próximos de nós do que podemos pensar.
Cada localidade sem a presença do evangelho genuíno representa um alvo missionário.


Missionários Dyogo e Cristiane

Última atualização ( Seg, 18 de Janeiro de 2010 00:48 )